24.04.2014
Resíduos sólidos requerem planejamento e ações integradas
Fórum Desenvolve Londrina lança caderno de estudos sobre o assunto

Integração de políticas e ações de órgãos públicos, realização de estudos técnicos sobre o tema, sistematização de informações, integração regional e campanhas de esclarecimento estão entre as 78 soluções apontadas pelo Fórum Desenvolve Londrina para o enfrentamento efetivo dos problemas dos resíduos sólidos em Londrina. Os resultados obtidos pelo estudo realizado em 2013, foco das ações da entidade, foram apresentados nesta terça-feira (25/02/2014), em entrevista coletiva na sede da associação Médica, e em solenidade à noite, na OAB - Londrina.

Questão fundamental para a sociedade no presente e futuro, os resíduos sólidos padecem dos mesmos problemas que outros temas que interferem na vida do cidadão. “É uma dificuldade da nossa cultura em que não há continuidade de projetos, quando há mudança do gestor público”, avalia Cláudio Tedeschi, presidente do Fórum Desenvolve Londrina. Segundo ele, é muito comum um gestor abandonar ações que vinham sendo realizadas pelo seu antecessor, ignorar os avanços e muitas vezes refazer um trabalho já finalizado.

Como várias cidades brasileiras, Londrina enfrenta sérias dificuldades na gestão e tratamento de resíduos sólidos. O município, que já foi referência na coleta seletiva, hoje tem apenas 5% do material separado para comercialização. A Central de Tratamento de Resíduos não funciona adequadamente e acabou se tornando mais um problema.

Para Tedeschi, os resíduos sólidos exigem projetos a médio e longo prazo, a partir de um planejamento estratégico que envolva vários atores. “É preciso vislumbrar um horizonte de 30 anos”, afirma. O presidente do Fórum faz uma comparação com a cidade de Barcelona (Espanha), que estabeleceu o ano de 2020 como prazo para alcançar a marca de 70% do processamento de resíduos da construção civil e reformas e de 50% dos resíduos produzido pela comunidade.

A questão, segundo ele, não pode ficar sob responsabilidade única do poder público. O Fórum Desenvolve Londrina aponta para a necessidade de criar entidades que assumiriam o papel de ‘guardiões do futuro’, sem vínculo com mandatos políticos, e que teriam o objetivo de tratar das questões que envolvem o tema.

Planejamento e integração

Conhecer a questão e a partir de bases sólidas realizar as ações é fundamental para a solução dos problemas do lixo em Londrina. O agrônomo Paulo Varela Sendim, membro do Fórum, afirma que a complexa questão dos resíduos sólidos exige planejamento estratégico de médio e longo prazo. “Não é um tempo curto; avaliamos que são necessárias algumas décadas”, diz. Hoje, o “Lixo Zero” é uma meta.

Sendim afirma que a contribuição da sociedade é importante. “Podemos envolver entidades que tenham condições de desenvolver tecnologias para levar a soluções concretas”, diz. “Não podemos nos limitar a ‘apagar incêndios’, como ocorre atualmente. Temos que apagar os incêndios e pensar em como evitá-los”, completa.

Uma das soluções apontadas pelo estudo do Fórum é integrar as ações dos órgãos responsáveis pela gestão dos resíduos em Londrina. “Sema (Secretaria do Ambiente) e CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) devem trabalhar em conjunto, não ‘cada um no seu quadrado”, diz Tedeschi.

Ele enfatiza que a solução para os resíduos sólidos requer ações efetivas. Ele afirma que na Central de Tratamento de Resíduos (CTR), por exemplo, poderia ser implantada uma indústria para permitir que o material processado voltasse à cadeia produtiva.

A fiscalização também é necessária para equacionar o problema dos resíduos sólidos em Londrina. “Existem muitas leis que não são respeitadas”, diz. Campanhas educativas que indiquem a necessidade do consumo consciente também são imprescindíveis, de acordo com o estudo do Fórum.

78 soluções

As soluções apontadas pelo Fórum Desenvolve Londrina são resultado de reflexões realizadas por meio de palestras com especialistas e sistematização de dados.

O custo da coleta em Londrina é de cerca de R$ 145 por domicílio ao ano, a internacional é de R$ 480,17 por domicílio ao ano. A média nacional per capita é de R$ 88 e Londrina fica com pouco mais de R$ 60 ( 31% menor que a nacional).

Segundo estimativa (somente no ano passado a CMTU começou a pesar o lixo), Londrina coleta cerca de 410 toneladas de lixo urbano por dia, sendo 208 toneladas de lixo orgânico. A coleta seletiva gera 30 toneladas por dia. Atualmente, cada londrinense gera por ano 21,6 quilos de lixo reciclável. A lei estabelece até 2015 meta de 59 quilos por habitante ao ano.

O município ainda enfrenta déficit no sistema de tratamento de resíduos. O estudo aponta que em 2013 houve um déficit de R$ 7 milhões. Uma lei municipal estabelece como taxa máxima do lixo 20% do valor do IPTU. Londrina lançou no ano passado R$145 milhões neste imposto, mas arrecadou R$ 115 milhões, o que resultou numa arrecadação de cerca de R$ 23 milhões de taxa de lixo, produzindo déficit de R$ 7 milhões.

O trabalho de vários meses apontou 78 soluções, dentre as quais Cláudio Tedeschi destaca a integração das ações da Sema/CMTU; criação de grupos técnicos para estudar a questão, integrando setor acadêmico e empresas; levantamento e sistematização de informações sobre resíduos sólidos na região; integração regional de ações para equacionar questões sobre o tema; realização de campanhas educativas sobre o tema e sobre consumo consciente; capacitação gerencial dos dirigentes das cooperativas; e fiscalização do cumprimento da legislação de resíduos sólidos.

fonte: Alea

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